Coluna 198: Jackson do Pandeiro, o ritmista virtuoso
Publicada dia 22 de Julho de 2010
Jackson do Pandeiro, o ritmista virtuoso
No batistério, era José Gomes Filho, nome simplório para gente igualmente simples e acima de tudo honesta e trabalhadora. Jackson nasceu em Alagoa Grande, no vizinho e não menos querido Estado da Paraíba no dia 31 de agosto de 1919.
Talento precoce, com 7 anos começa a se apresentar tocando zabumba no grupo liderado por sua mãe, que era cantadora de coco. Aos 13 anos, com a morte do pai, acompanha a família que se muda para Campina Grande, buscando a sobrevivência.
Precisa ajudar nas despesas de casa e por quatro anos trabalhou como engraxate e entregador de pão, até que surgiu a oportunidade de conseguir um emprego como baterista num cabaré, ocasião em que adota o pseudônimo de "Jackson do Pandeiro", inspirado num ator de filmes de faroeste da década de 30, de quem era fã.
No início da segunda guerra mundial, muda-se para João Pessoa e continua atuando em cabarés, mas também na Rádio Tabajara. Em 1948, vem para o Recife, onde trabalha na Rádio Jornal do Comércio. Já conhecido como Jackson do Pandeiro, grava, em 1953, seu primeiro disco de 78 rotações por minuto com as músicas "Sebastiana" e "Forró em Limoeiro" que fazem retumbante sucesso regional.
Nesse meio tempo, tem a ventura de conhecer a professora Almira Castilho, cantora e dançarina, com quem se muda para o Rio de Janeiro em 1956 e formam dupla de sucesso que atua em shows, além de aparecer em vários filmes nacionais.
Na Cidade Maravilhosa trabalha nas Rádios Tupi e Nacional. Aperfeiçoa ainda mais sua peculiar maneira de dividir o ritmo e se firma cantando gêneros como coco, embolada e rojão, acompanhado basicamente de instrumentos de percussão. Atínge os píncaros do sucesso com "Cantiga de sapo", "Chiclete com banana", "1 a 1", e "Canto da ema". (A ema gemeu no tronco do juremá...) .Em 1967, com o fim de sua união com Almira Castilho, já na Rádio Globo do Rio, forma dupla com a nova companheira, Neuza.
Ainda nos fins dos anos 50, entra numa fase de ostracismo que só termina na década seguinte, com o movimento "tropicalista" quando os seus sucessos são regravados por figuras, mais tarde exponenciais, como Gilberto Gil e Caetano Veloso. A partir de então, sobrevive com pequenas apresentações.
Vítima de embolia pulmonar decorrente de diabetes, faleceu em Brasília em 10 de julho de 1982. Não obstante o tempo decorrido de sua morte, nós continuamos a dever todas as homenagens a esse pequenino gênio brasileiro que soube como ninguém divulgar a Paraíba e Pernambuco, bem como o Nordeste de modo geral como um dos maiores mestres da nossa música.
Glória a quem merece. José Gomes, filho de José Gomes, natural de Alagoa Grande merece todo nosso respeito e profunda admiração.
Jackson do Pandeiro, o ritmista, permanecerá vivo na nossa memória e na das gerações futuras.